Blog

Dica de Turismo - Capelinha de Mosaico

A construção de pequenas capelas para homenagear entes queridos falecidos é uma tradição entre os moradores da Mantiqueira. Outro costume comum era o de usar essas construções para guardar objetos que pertenceram aos mortos, além de pedaços de imagens de santos acidentalmente quebradas, já que acreditava-se que jogar os cacos no lixo traria má sorte.  São Bento do Sapucaí ainda preserva diversas dessas edificações, e algumas delas viraram ponto turístico da cidade por serem revestidas por cacos de azulejo e santos quebrados. 

Tudo começou em 2008, quando a parede frontal de uma capela localizada na propriedade do artista plástico Ângelo Milani, na Rua Treze de Maio, exibia uma grande rachadura, que punha em risco a estabilidade da construção centenária. Foi então que ele, depois de realizar a necessária reforma, teve a ideia de ornamentar a fachada com mosaicos compostos por formas abstratas, que fazem referência tanto as típicas divisões dos mastros de São João, quanto ao seu próprio trabalho.
Para a decoração do interior, o espaço recebeu o enriquecedor acréscimo de um conjunto de mosaicos criados por sua esposa, a artista plástica paulistana Claudia Villar, concebidos originalmente para uma instalação realizada com sucesso por ela em 2005 na Capela do Morumbi, em São Paulo. Trata-se de 30 conjuntos retangulares, que agora enfileirados em ambas as paredes laterais, assemelham-se a uma surpreendente via-crúcis, plena de novos significados.
Cada uma dessas caixas, ou blocos de cimento, contém composições realizadas com materiais diversos, como sacros fragmentos de estátuas de santos abandonados por fiéis em diversas igrejas, combinados com contas coloridas, cacos de louças, pedaços de vidros e azulejos, dejetos industriais reaproveitados, etc, criando a sensação de imersão num mundo quase irreal.
Pouco tempo depois, uma outra capela de mosaico também foi construída na Avenida Sebastião de Melo Mendes, no caminho para a Pedra do Baú, um dos pontos turísticos mais famosos da cidade. Ao todo, 24 artistas do Brasil e da Alemanha auxiliaram em sua construção, além das crianças sambentistas.
O sucesso das capelinhas foi tão grande que hoje é possível observar diversas obras feitas a partir de mosaicos na cidade, como o muro da Escola Dr Genésio Cândido Pereira e a Via Sacra no Morro do Cruzeiro. Além disso, a confecção de peças de mosaico é uma atividade econômica na cidade e diversos artesãos produzem peças e imóveis utilizando a técnica.